"A Rede Social": Experiência única
Acordei assustado de um cochilo diurno. Não sei ao certo qual era o sonho. Pouco importa. Levei dois minutos e meio pra me recuperar e passar a mão no jornal ao lado da cama. A essa altura já passava pela minha cabeça tomar um banho e ir ao Shopping Catuaí assistir à estréia do elogiado filme "A Rede Social". Confirmei o horário do filme e em 30 minutos já estava dentro do ônibus rumo ao Shopping. Cheguei ao cinema às 16:00 horas. Meia-hora antes de o filme começar. A situação parecia desanimadora. Sessão vazia. Seria a chuva forte lá fora? O número de pessoas na sala cabia nos dedos das mãos. E estou me incluindo nessa conta.
Antes do filme, a "magia" dos trailers. Nicolas Cage estrelando um tal de "Caça às Bruxa" e, novamente, enfiando sua (já baixa) credibilidade na bunda. Veja o trailer no Youtube e concorde comigo. Em outro trailer, Denzel Washington interpreta o mesmo personagem de seus últimos 18 filmes. Dessa vez ele vai salvar o mundo de um trem desgovernado. Morra de inveja, Capitão Nascimento.
Então começa "A Rede Social"...
Vá lá. Um filme pode ser muito elogiado, ter ótimas pessoas envolvidas, mas você tem todo o direito de não estar empolgado em assisti-lo. "A Rede Social" exercia esse efeito sobre mim. Adoro o diretor David Fincher desde "Seven". O roteirista Aaron Sorkin é o criador de uma das minhas cinco séries prediletas dos anos 2000 - "West Wing". E o protagonista Jesse Eisenberg é aquele Woody Allen moderno de "Zumbilândia", uma das melhores comédias dos últimos anos. Mas o plot do filme não me animava. Como um filme que narra a biografia de um nerd mala de 26 anos pode ser bom?
Já na primeira cena (um diálogo rápido entre o mocinho e sua namorada) toda minha desconfiança vai pra merda. Aaron Sorkin lança mão daqueles diálogos rápidos que só ele sabe escrever. David Fincher manipula imagens de tal maneira que você esquece, por um momento, que está sentado numa sala escura vendo um filme. É tudo tão dinâmico e coeso que até fiquei puto por minha vida não ser orquestrada da mesma forma. Não tive tempo pra prestar atenção se a fotografia do filme era boa ou se a maquiagem dos atores estava uma bosta. Nada disso importa. Uma história está sendo contada ali. E isso, meus amigos, é o melhor elogio que se pode fazer sobre um filme de Hollywood hoje em dia. Lembrem-se dos trailers de antes do filme. Mas não compare. Seria muita falta de sacanagem.
O filme conta como dois nerds da elitista Universidade de Harvard, Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin, fundaram o site de relacionamentos Facebook. Chato assim. Não vou ficar falando sobre o que acontece no filme e tudo mais. Se você quiser saber vá assistir. Ou compre o livro do qual foi adaptado. Ou apenas jogue na Wikipédia. Afinal, trata-se de uma história real. Não uma história que você ouviu seus tataravós falarem. Mas uma história que você está presenciando. E participando. A diferença é que essa história é muito mais bem narrada aqui do que na vida real. Opa, mas não é essa a função do cinema?
Se eu fosse utilizar leis da Física pra falar sobre esse filme, usaria a Lei da Relatividade de Einsten. Algumas coisas são relativas: dois minutos do filme "2012" podem durar mil horas, enquanto 2 horas de "A Rede Social" podem parecer 10 minutos e você ainda implora por mais.
Às 18:30 horas a sessão termina. Havia menos de dez pessoas na sala. Dez pessoas satisfeitas e privilegiadas. Cabia nos dedos das mãos. E estou me incluindo nessa conta.

hahaha, me sinto quase uma fã vindo comentar aqui.E isso não é bom ó: http://www.youtube.com/watch?v=aphPcZZO_8Y
ResponderExcluirUm ótimo spoiler às avessas.
Valeu, Aline. Adorei o filme. Veja o que você acha e me fale depois.
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